sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Como a Teoria de Bandura Pode Ajudar no Nosso Comportamento e Crescimento Pessoal

Introdução

Já se perguntou por que às vezes a gente acaba fazendo coisas que sabemos que não são legais? Ou por que algumas atitudes são mais fáceis de justificar do que outras, mesmo que no fundo saibamos que não deveríamos tê-las feito? Essas perguntas estão diretamente relacionadas com o que o psicólogo Albert Bandura estudou em sua teoria da aprendizagem social. O pensamento de Bandura pode parecer complicado à primeira vista, mas ele é superimportante para entender o nosso comportamento e como a gente pode melhorar como pessoa. Hoje, vamos explorar essa teoria de forma simples, e como ela pode nos ajudar a refletir sobre nossas atitudes e a crescer moralmente.

Quem foi Albert Bandura?

 Albert Bandura foi um psicólogo canadense que revolucionou a forma como entendemos o comportamento humano. Em vez de focar só no que fazemos de forma automática ou instintiva, Bandura mostrou que aprendemos muito observando os outros. Ele percebeu que o ambiente à nossa volta e as pessoas com quem convivemos afetam diretamente nossas escolhas, nossas atitudes e até como pensamos sobre nós mesmos.

Por exemplo, quando você vê alguém que admira fazendo algo legal ou positivo, você provavelmente vai querer imitar aquela atitude. Da mesma forma, se um grupo de amigos faz algo errado, pode ser mais fácil justificar seguir a mesma linha. Bandura chamou isso de aprendizagem por observação, e isso pode nos ensinar coisas boas ou ruins, dependendo do que estamos observando e quem estamos imitando.

Os mecanismos de desregramento moral

Além de estudar como aprendemos observando os outros, Bandura também foi fundo em outra questão: como as pessoas justificam comportamentos errados. Às vezes, podemos saber que algo não é certo, mas mesmo assim encontramos formas de explicar para nós mesmos que, naquela situação, aquilo foi "aceitável". Esses são os mecanismos de desregramento moral.

Vamos explicar alguns deles e, o mais importante, como podemos evitá-los:

  1. Justificação Moral: Esse é o famoso "os fins justificam os meios". Significa que fazemos algo errado, mas justificamos dizendo que é por uma "causa maior". Um exemplo é mentir para um professor sobre uma atividade escolar e depois pensar: "ah, foi só uma mentirinha para não ser punido". Para superar isso, precisamos sempre nos perguntar: será que o que fiz vai realmente trazer algo de bom, ou só estou arranjando uma desculpa para um erro?
  2. Comparação Vantajosa: Esse mecanismo faz com que a gente compare nossas atitudes com algo pior para parecer que o que fizemos não é tão grave. Por exemplo, “eu só empurrei meu colega, tem gente que agride muito pior”. O problema aqui é que a comparação faz parecer que o erro é pequeno, quando na verdade continua sendo um erro. A ideia é pensar sobre nossos atos por eles mesmos, sem tentar minimizar as coisas comparando com algo pior.
  3. Eufemismo: Já ouviu falar em "suavizar" a realidade? Quando a gente usa palavras mais leves para algo que, na verdade, foi ruim, estamos usando o eufemismo. Chamamos uma atitude agressiva de "brincadeira" ou uma mentira de "desculpinha". Reconhecer a gravidade das nossas ações, usando a linguagem correta, é o primeiro passo para não cair nessa armadilha.
  4. Deslocamento de Responsabilidade: Esse é o famoso "foi culpa de outra pessoa". A gente joga a responsabilidade para alguém que está no comando, como um amigo ou até um adulto. Mas a verdade é que, no final, cada um é responsável por suas próprias escolhas. É importante perceber que, mesmo quando estamos em grupo ou recebemos uma ordem, sempre podemos decidir o que vamos fazer.
  5. Difusão de Responsabilidade: Quando estamos em grupo, podemos achar que a responsabilidade é "diluída" entre todo mundo, e assim não nos sentimos culpados pelo que fizemos. É quando você diz “todo mundo estava fazendo”. Para evitar isso, precisamos entender que mesmo em grupo, cada um tem responsabilidade individual pelas suas ações.
  6. Desumanização: Às vezes, para justificar atitudes ruins, a gente trata o outro como se ele fosse "menos humano", ou seja, como se a pessoa não tivesse sentimentos ou valor. É o que acontece quando usamos apelidos pejorativos ou fazemos bullying. Superar isso requer uma boa dose de empatia: entender que o outro sente e sofre tanto quanto nós.
  7. Atribuição de Culpa às Vítimas: Esse mecanismo faz com que culpemos quem sofreu a consequência do nosso ato. Por exemplo, "ele mereceu, porque me provocou". Mas, será que isso é mesmo uma justificativa? A responsabilidade pelos nossos atos é nossa, independentemente do que o outro fez ou deixou de fazer.
  8. Desconsideração das Consequências: Esse mecanismo acontece quando minimizamos o impacto das nossas ações. Fingimos que as consequências não foram tão ruins assim, ou nem pensamos nelas. É importante parar e refletir sobre como nossas atitudes afetam os outros e o mundo à nossa volta. Isso nos ajuda a agir de forma mais consciente.

Por que isso é importante para o nosso desenvolvimento?

Entender os mecanismos de desregramento moral é um passo importante para nosso crescimento pessoal. Quanto mais conscientes formos das formas que usamos para justificar comportamentos errados, mais preparados estaremos para evitá-los. Isso nos ajuda a desenvolver autocontrole, a melhorar nossa autoeficácia (ou seja, a crença na nossa capacidade de fazer o que é certo) e a construir relacionamentos mais saudáveis e respeitosos.

Além disso, a compreensão dos mecanismos de desregramento nos ajuda a resistir à pressão dos outros e a fazer escolhas melhores, baseadas em nossos próprios valores, e não no que os outros esperam ou fazem. Com isso, crescemos não só como indivíduos, mas também como parte da sociedade, já que nosso comportamento afeta quem está ao nosso redor.

Conclusão:

Bandura nos mostra que não somos passivos diante do que acontece ao nosso redor. Aprendemos observando, mas também podemos escolher como agir. Compreender os mecanismos de desregramento moral nos ajuda a reconhecer quando estamos usando desculpas para justificar comportamentos inadequados e, assim, podemos evitar essas armadilhas. Ao desenvolver nossa empatia, responsabilidade pessoal e autoconsciência, damos passos importantes para um comportamento mais ético e para o crescimento moral, que vão nos acompanhar para o resto da vida.

O que achou dessa reflexão? Se você quiser ir mais a fundo, comece a observar suas próprias atitudes e veja se algum desses mecanismos aparece no seu dia a dia. Aposto que, ao perceber, você vai se sentir mais confiante para melhorar e ser uma versão cada vez melhor de si mesmo!

segunda-feira, 3 de julho de 2023

A Ler: A arte de fazer perguntas

A Ler: A arte de fazer perguntas: Como é que empresas como Google, a Nike e a Netflix se “alimentam” da capacidade de fazer perguntas?  Isso foi o que o jornalista Warren Berger...

domingo, 16 de setembro de 2018

O ENSINO DE FILOSOFIA AOS JOVENS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO UMA PROPOSTA CONSCIENTIZADORA


O ENSINO DE FILOSOFIA AOS JOVENS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO UMA PROPOSTA CONSCIENTIZADORA

“A filosofia é um despertar para ver e mudar o mundo” (Merleau-Ponty)



Uma jovem estudante de filosofia no ensino médio ao ser inquietada com a pergunta para quê filosofia? Disse aos colegas da sala que filosofia é a componente curricular em que “o professor navega e os alunos bóiam”, ela não deixa de ter razão; mas “o boiar” tem diversas causas: os jovens foram impedidos de serem pensadores a não ser quando assumia esta tarefa a revelia, outros professores constataram esta mesma problemática e compactuam da ideias de que é a filosofia é o  componente curricular que devolverá ao jovem a ousadia de protestar de forma inteligente e exercer sua cidadania ativa, mas este salto de qualidade tem como protagonista os próprios jovens estudantes de filosofia. É tarefa da filosofia:
ü  Estimular o espírito crítico sem assumir atitude dogmática e/ou doutrinária;
ü  Valorizar no educando a busca de uma “atitude filosófica” face às questões de diversos âmbitos em vista de proporcionar uma reflexão crítica e formadora de opinião dialética;
ü  Debater tomando uma posição, defendendo-a argumentativamente e mudando de posição em face de argumentos mais consistentes;
É obvio que o ensino de filosofia só a partir do ensino médio não é a solução! Há muitas experiências de filosofia para as crianças, à volta de uma componente curricular que estava ausente da vida escolar (a filosofia) contribuirá para que os jovens percebam que existe uma pluralidade de teorias filosóficas, discussões sistemáticas e metódicas que lhes possibilitarão uma melhor visão de mundo e da realidade, ajudando-os a exercitarem o senso crítico, ou seja: a restituir-lhes o rigor no pensamento e o desenvolvimento cultural.
É uma incumbência da educação contribuir na formação do ser humano em todas suas dimensões. Neste campo a filosofia cooperará, pois cada um deverá ocupar o seu irrenunciável espaço no mundo, realizando assim, seu projeto existencial e, desta maneira resgatando a sua cidadania enquanto sujeito consciente, crítico e construtivo no interior do corpo social.
A filosofia se propõe a auxiliar os educandos na descoberta de sua vocação filosófica, despertando nos mesmos as seguintes atitudes fundamentais: admiração, a dúvida metódica, a insatisfação moral e ainda a indignação ética.
É também tarefa da filosofia na educação auxiliar-nos na compreensão do ser humano, na complexidade das organizações sociais; sobre o espírito de cidadania, sobre o voluntariado; sobre a solidariedade; corresponsabilidade; etc... e a realidade passível de mudanças.
Para desenvolver tais habilidades nossos jovens precisam acordar e decidir pela racionalidade filosófica assumindo novas posturas tais como:
Aprender, gostar e amar a leitura: sabemos que a maioria dos jovens lê pouco e tem dificuldade de compreenderem o que lê;
Cuidar da atenção: muitos dos jovens estudantes não conseguem se desligar para sintonizar, eles estão em mil lugares menos na escola preocupados com o estudo;
Trabalhar em grupo: tem dificuldade de estabelecer e respeitar normas de convivência e de relacionalidade e aqui a intervenção do dos educadores é muito importante neste processo de apropriação do saber de forma coletiva;
Fazer conexões: há uma grande dificuldade de relacionar o estudo com os fatos do cotidiano e até dos fatos sociais;
Eu acredito que esta problemática só será resolvida quando os jovens se enamorarem da leitura dos textos, tiverem acesso a bibliotecas com subsídios didáticos e paradidáticos, terem condições e espaço de leitura e, após a leitura, poderem parar para elaborar por escrito o que se apropriou de modo reflexivo; e, ainda; articular os conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e modos discursivos nas ciências naturais e humanas, nas artes e em outras produções culturais;
Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-biográfico; no entorno sócio-político, histórico e cultural; o horizonte da sociedade científico tecnológico.
Por mais que se tente fazer com que eles assumam esta nova postura diante do estudo de filosofia a maioria parece apática o que levou uma jovem estudante dizer que “só iremos perceber a importância da filosofia quando descobrirmos que perdemos o tempo, não a valorizando desde esta oportunidade que ora estamos tendo”.
Mas a sensatez faz me dispor também de outras observações vindas de outros contextos, mas que podem ajudar-nos.
Diz-me outra interlocutora: “o grande problema das observações feitas sobre os mais jovens, é que tais observações não são feitas por pessoas “mais jovens”; por pessoas que já foram adolescentes um dia, e que cresceram e ao crescerem viveram a vida, correram, esperaram, experimentaram.
E, por tanto viver, correr e principalmente experimentar aprenderam. Aprenderam a ter mais paciência, a serem mais perseverantes, a serem ousados dentro do limite da segurança e do possível. Aprenderam que é preciso silêncio para apreciar a beleza da música, que é preciso calar para melhor ouvir, que é preciso concentração para poder pensar. Aprenderam (ou pensam que aprenderam) a distinguir o bom do mau, o perigoso do seguro e por essa razão acreditam que podem ajudar os mais jovens a “saltar determinados obstáculos” que poderão trazer-lhes dor e sofrimentos às suas vidas. Acreditam que do alto de sua sabedoria, oriundas das experiências já vividas, poderão ajudá-los a trilhar pelos caminhos menos tortuosos e, portanto, mais felizes. Os adultos têm certa razão.
Ocorre, porém, que tais pessoas, também conhecidas como adultas, muitas vezes se esqueceram que a juventude é acima de tudo a idade do experimento, das descobertas, das mudanças e das buscas.
Por mais nobres que sejam nossas intenções, não podemos frear a energia que impulsiona os jovens à “pesquisa”, ao experimento que os levam a descobertas.
Penso que de certa forma seria muito bom poupá-los de transtornos que atitudes impensadas podem trazer, entretanto, não posso deixar de pensar que ao mesmo tempo estaríamos impedindo-os de viver efetivamente, ou pelo menos lhes tirando o doce gosto que a vida tem quando ainda não fomos moldados (para não dizer aprisionados) pelos ditames impostos por uma sociedade decadente e hipócrita, onde só rimos no momento certo (ainda que não seja engraçado) e só choramos quando for conveniente.
Deveríamos lembrar mais vezes que “é errando que se aprende” e assim aprendermos a adotar uma postura diversa da que ora temos, orientando sempre os jovens para a vida, contudo, sem impedi-los de viver.
O “livre arbítrio”, é dom de Deus e foi dado a todos como a capacidade de escolher, os jovens também estão aí inclusos. Assim, não cabe aos mais velhos escolher por eles, mas, através de atitudes (mais do que palavras) ajudá-los a escolher, a decidir - fundado no respeito e na responsabilidade, sem nunca perder seu jeito “jovialmente faceiro” de viver.
Mas se nós (adultos) estamos contribuindo através do pensamento filosófico no meio juvenil, vejo como um momento de oportunidade única para a juventude – que tem muita dificuldade para pensar antes de agir”.
Se os jovens justificam que “é errando que se aprende” digo que necessariamente não é preciso errar para aprender
Se os jovens fazem aquilo que lhes vem à mente, digo que o agir impulsivo freia a capacidade de racionalidade.
É preciso ter os pés no chão buscando sempre distanciar das aventuras que nos tiram da realidade e não nos aterriza na realidade da vida.
Se a racionalidade é o dom mais precioso do ser humano, que nos distingue do animal, é agora a hora de agirmos racionalmente medindo sempre as conseqüências de nossas ações.
Acredito que em um ambiente filosófico, todos poderão ter voz e vez e os jovens encontrarão respostas aos diversos problemas que precisam de uma mediação. Creio que os professores de filosofia (não excluindo os demais, é claro) poderão ser os interlocutores de diversos problemas no meio juvenil. É por isso que os jovens precisam aprender a agora de falar e de calar, pedindo sempre a palavra e respeitando a vez do outro, não podemos, em grupo, salas superlotadas, falar todos ao mesmo tempo, mas se organizarmos todos poderão ter seu espaço de expressão do pensamento colaborando assim com a construção de sujeitos capazes de tomar decisões e não apenas de apertar botões.
A juventude é uma fase – talvez a inesquecível para muitos, mas também amarguradas para tantos outros, a vida é sempre uma oportunidade e o que nos espera é sempre uma surpresa, a próxima estação é a maturidade, mas suas raízes são fortalecidas na juventude, pois o mundo adulto nos espera. Não dá para ter certeza do futuro, o que existe é o presente – é agora a hora de optar e assumir a caminhada com maior convicção, sem vergonha de olhar para o passado. Como falara um poeta anônimo que “a vida nos é dada para  grandes feitos”.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Freire. Paulo. Pedagogia da autonomia – saberes necessários à prática educativa, 30ª ed. São Paulo. Paz e Terra, 2004. 148p.


Resenha
Freire. Paulo. Pedagogia da autonomia – saberes necessários à prática educativa, 30ª ed. São Paulo. Paz e Terra, 2004. 148p.


Por José Igídio dos Santos
Faremos neste texto uma resenha que apresente as principais ideias defendida que o Pedagogo Paulo Freire expressa em seu livro pedagogia da Autonomia - saberes necessários à prática educativa.
 No plano estrutural o autor utiliza o método dialético para apresentar sua teoria pedagógica de como o professor pode ajudar os educandos a construir a autonomia do seu saber em sala de aula. A linguagem usada é acessível com atenção à hermenêutica
A introdução ressalta alguns aspectos práticos da pedagogia do professor em relação ao desenvolvimento da autonomia dos educandos. Enfatiza a necessidade de acolher e respeitar o conhecimento que os educandos trazem para escola, por serem sujeito histórico e social, e trazem consigo vários saberes de contextos vivenciais. O educador ao valorizar esse conhecimento prévio impulsionará os educandos a desenvolvê-lo de forma otimizada. Proceder desta forma possibilitará ao professor uma atitude global que fará a diferença na vida do educando.
No cap. 1, Paulo Freire apresenta a tese de que “não existe docência sem discência, assume uma perspectiva na qual a educação torna-se uma via de mão dupla – sugerindo ao educador uma dinâmica pessoal focada na aprendizagem – ser um aprendiz aberto ao processo de aprendizagem a partir da realidade de seus educandos. Para operacionalizar esta dinâmica é preciso que o docente tenha uma metodologia rigorosa da qual possa extrair a autoconsciência de seu papel em sala de aula, implementando as aulas com a perspicácia e agudeza de espírito ao ministrar a aula. Para tanto,  faz-se necessário que  o professor, no preparo da aula, consiga pesquisar sobre os assuntos da qual ela versará ao ministrar a mesma  e,  desta forma,  os discentes buscarão o desenvolvimento de pesquisas em áreas de interesse em vista de alcançar maior autonomia de pensamento face a uma proposta educacional que se opõe à educação bancária. Com o enfoque didático da pesquisação, há que se respeitar o conhecimento prévio e vivencial do educando em sala de aula, incitando-os a desenvolverem uma atitude crítica face aos saberes constituídos ou provenientes do senso-comum como verdade absoluta; procurando assim,  filtrar as informações a partir de critérios analíticos para aceitá-los ou não. Ao docente é fundamental a coerência didática entre o teórico e o prático, pois para o discente ele é modelo. A multiplicidade de metodologias pode ajudá-lo no desenvolvimento de atividades educativas capazes de atingir os educandos. Cabe ao educador analisá-las criticamente e adotar em sua prática a metodologia mais adequada para a turma, procurando discernimento para mudar a proposta quando esta não corresponder às expectativas do processo educacional; sem, contudo, deixar de abordar as questões fundantes para a construção de uma educação inclusiva e democrática. Valorizando temas como multiculturalismo e favorecer o reconhecimento da diversidade étnica na trajetória educacional reconhecendo a alteridade.
 No Cap. 2,  Paulo Freire defende a ideia de que ensinar não é transferir conhecimento  e sim “criar possibilidades ao aluno para sua própria construção” uma vez que em sua concepção o professor não é “dono das verdades absolutas e inquestionáveis”,  sua tarefa é auxiliar o educando ao desenvolvimento de seu pensamento; ressalta que o conhecimento é inacabado é daí a perspectiva de que os educadores e educandos deverão adotar uma atitude de aprendizes em busca de novos conhecimentos; nunca esquecer dos condicionamentos históricos, cultural e temporal, sendo necessário que o pensamento possa desenvolver-se ao longo do tempo com a consciência de que os educandos também estão presos à sua realidade, impulsionando-os a refletirem sua própria existência; Paulo Freire acentua que devemos respeitar o tempo de aprendizagem de cada  educando pois cada um tem o seu momento e hora certa para se encaminharem na vida; o autor afirma ainda que, como educador devemos usar o  bom senso em relação às atividade em sala de aula adequando-as ao tempo de seus alunos;  é importante a consciência de classe e que os professores deverão se sensibilizar às reivindicações de  seus colegas por melhores condições de trabalho; além disso, ter consciência da realidade em que está trabalhando para que possa desenvolver seu trabalho de forma situada; os profissionais da educação que optam por licenciaturas deve ser um espírito otimista, pois seu trabalho visa  melhorar o mundo, com a convicção de que, a mudança é possível, tendo repercussão  social e, sua forma de  vida,  dá aos educandos consciência  de transformação pessoal  e social; ao finalizar esse capítulo podemos dizer que todo educador deve ter uma curiosidade aguçada, pois somente dessa forma vai poder conhecer  o perfil geral da turma capacitando-o para fazer uma proposta para cada uma delas.
No Cap. 3, Paulo Freire nos diz que  ensinar é uma especificidade humana ao pedagogo é necessário  boa preparação, qualificação  e habilidades que lhe proporcionará segurança intelectual para no exercício de sua  atividade docente. Para que o educando possa superar sua ignorância é fundamental que o educador supere as suas próprias ignorâncias. O dia-a-dia com os estudantes no contexto de aprendizagem é imprescindível pois cabe ao professor intervir no mundo de forma democrática e trabalhar em vista da liberdade de tomar decisões conscientes, assumindo responsabilidades educativa. A escuta dos educandos é necessária e visa o aprofundamento da arte da docência e neste ínterim, superar sua a ingenuidade sem deixar de considerar que a educação é uma ideologia, na obra freiriano percebe-se uma nítida influência marxista. Ao ensinar o educador deve tornar-se disponível para todas as questões dos estudantes respondendo às suas inquietações propiciando um diálogo fecundo, aguçando o bem-querer entre docentes e discentes. A obra é um subsídio para ser lido por todos os profissionais em educação licenciado ou não.





sexta-feira, 25 de maio de 2018

CONSCIÊNCIA POLÍTICA: O CRIVO PELO VOTO


CONSCIENCIA POLÍTICA:   O CRIVO PELO  VOTO
 José  Igídio dos Santos [i]
       “O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”. Platão. (c. 428-347 a.C).

 A compreensão sobre a política, remete à sua etimologia que é haurida do grego antigo e faz referência às práticas e ações vinculadas à pólis, ou à cidade-estado, em sentido amplo, pode referir-se tanto a Estado, quanto à sociedade; e em sentido estrito à comunidade e procedimento de definições do que se refere à vida humana.
Contemporaneamente Hannah Arendt, filósofa alemã (1906-1975), caracterizava a política como "convivência entre diferentes", pois baseava-se "na pluralidade dos homens", fundamentando o entendimento de que  é necessário respeito à alteridade em relação a pluralidade e tal propósito implica aceitar a coexistência de diferenças, pois   a igualdade a ser  alcançada através do exercício de interesses, quase sempre conflitantes, é a liberdade e não a justiça, pois a liberdade distingue "o convívio dos homens na pólis de todas as outras formas de convívio humano bem conhecidas pelos gregos" ( ARENDT, p.12, 2002)
Na percepção de Nicolau Maquiavel (1469-1527) historiador, filósofo e político italiano, em sua obra "O Príncipe"  que  se tornou um manual sobre a arte de governar, apresenta o caminho para a manutenção no poder com máxima de que “os fins justificam os meios” , tal compreensão ressalta, entre outros aspectos, que a política fundamenta-se em desenvolver estratégias para o exercício do poder, ser aceito pelos súditos e ainda conquistar o amor dos concidadãos pelos quais o príncipe deve ser amado e temido simultaneamente, dessa forma conquistaria  a arte da governabilidade.
Na epígrafe deste ensaio, retomo a concepção de Platão (427 a.C. - 347 a.C.) filósofo do período clássico da história da filosofia, discípulo de Sócrates, exímio escritor de diálogos que deu voz a seu mestre Sócrates, que nada escreveu, é construtor de um pensamento próprio, desde a “República”, considerada a primeira Utopia da história. Era visionário de uma proposta de sociedade fundamentada no modelo organicista, em que cada qual deve exercer a função a que é destinado, a partir dos estamentos, mas com possibilidade de ascensão social por meio da educação.
No Brasil, a atual situação política, parece impor aos cidadãos a necessidade de adotar propósitos para uma ação democrática que inclui não exclusivamente, mas essencialmente a sua participação nas decisões dos rumos do País, do Estado membro e a seu tempo também dos Municípios. Essa tomada de decisão se insere num contexto de desilusão com a política. É notório ao acompanharmos os noticiários midiáticos os fatos e atos políticos que são escandalosamente apresentados, nos deixando indignados, pois a maioria dos políticos fizeram da missão de servir na “administração pública” uma empresa pessoal, na qual seu interesse e interesse de seus aliados se sobrepõem ao ideário da política concreta – servir a todos os cidadãos. 
 A sociedade atual é como um barco à deriva, lhe falta engajamento, o país está vivenciando um momento de apatia social,   em que a população assume posturas tais como: “não vi”, “não ouvi”, “não sei dizer” e devido aos muitos escândalos e impunidade presentes nos três poderes, favorecendo sobretudo aos políticos corruptos e os corruptores dos mais diversos nichos sociais, de empresários à instituições públicas, vê-se posturas de apatia política, e  tais posturas  têm se tornado prejudiciais ao desenvolvimento da cidadania plena, que requer nossa participação na política, tanto afetiva como efetivamente, pautando nossa prática cidadã em critérios éticos e morais, em vista de uma sociedade justa e equânime.
Contemporaneizando Platão, nossa omissão em participar da política traz um prejuízo social que é pago com mal serviço prestado à população. E, sabemos muito bem que é por meio do voto de assinamos uma procuração com amplos poderes para proporcionar a todos uma vida cidadã implementada pelas ações dos políticos no Legislativo que criarão as leis e do Executivo colocarão em prática as ações sociais e políticas públicas que devem tornar a vida dos brasileiros mais agradável.
Nossa escolha é para o mínimo de quatro anos com consequências mais duradouras que este período, daí a necessidade de levar a sério o voto, para tanto, é imprescindível que nos preocupemos em analisar a vida pregressa dos candidatos que  se dispuseram a concorrer para assumir a função pública, com o nosso voto delegamos à alguns a missão de nos representar  e dessa forma devemos nos comprometer a não escolher pessoas inexperientes, inescrupulosas, ignorantes e incompetentes  para dirigir os rumos da sociedade e de nossas vidas, pois  sabemos que “o voto não tem preço, tem consequências”.
Uma preocupação que deve nos acometer sempre é que vivemos em uma sociedade do espetáculo, do voyeurismo, na qual grande parte da população adota uma postura de distanciamento da política, deixando de lado a oportunidade de auxiliar na escolha dos rumos do nosso país. O processo de alienação se instaura quando por exemplo, um número considerável de brasileiros vê passivamente programas de reality show, tal como BBB, analisando a vida dos participantes do programa e votando os destinos dos mesmos. Esses mesmos adeptos do voyeurismo não conseguem, em momento de campanha eleitoral, ver e ouvir quais são as propostas dos candidatos que venham ao encontro dos anseios da população, para então analisar se há correspondência entre a sua candidatura e os anseios do povo independentemente da sigla partidária.
Obviamente que não é só o horário eleitoral um balizador de nossas escolhas , alia-se a este uma pesquisa sobre o candidato, suas atitudes sociais, seus planos e propostas de gestão da coisa pública, e mesmo assim procedendo não há certeza de que faremos a escolha correta, portanto, torna-se imprescindível que acompanhemos aqueles aos quais elegemos  durante o seu mandato, cobrando a execução das proposições feitas durante o período de campanha, mas infelizmente muitos eleitores, escolhem em quem  votar no dia da eleição por meio de  escolhas aleatoriamente e votam em qualquer “ santinho”  abandonados próximos aos locais de votação.
A conscientização acerca da importância e valor do voto é uma bandeira que a sociedade precisa abraçar, demonstrando o seu caráter inviolável, incorruptível, promotor da justiça social, superando o modelo clientelista que faz de muitos “eleitores” vendedores de suas consciências. É chegado o momento de fazer das eleições a elevação do nível de conscientização social e política para que as elites oligárquicas que fizeram da política um “emprego certo’ possam ser desbancadas pela arma mais poderosa que nós temos. É o voto consciente, refletido que nos auxiliará a melhor selecionar nossos representantes na esfera política que, acompanhado pelos cidadãos serão fiscalizadores dos resultados de seus feitos.

Bibliografia consultada
ARENDT, Hannah.  O que é política? / Hannah Arendt;  Ed; Ursula Ludz, trad. Reinaldo Guarany. - 3' ed. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. 240 p.
PLATÃO. A República.  Col. Os pensadores, Trad.  Maria Helena da Rocha pereira. 9° edição. 2005
MAQUIAVEL. N.  O Príncipe .  Col. Os pensadores,  ed. Nova Cultural, 1999.



[i] Licenciado em Filosofia (UNICLAR), Especialista no ensino de Filosofia  (UFSCar-SP) ,  Especialista em  PIGEAD -  Planerjamento e Implementação da EAD (UFF), Bacharel em Teologia, Psicopedagogo, Tecnólogo Superior em Gestão Pública.